Resumo
A comissão no salão de beleza é a parte do valor de cada serviço que fica com a profissional. O jeito mais comum de calcular é por percentual: se o serviço custa R$ 100 e a comissão é de 40%, a profissional recebe R$ 40 e o salão fica com R$ 60. Muitos salões usam um percentual padrão para cada profissional e um percentual diferente em alguns serviços, como química, em que o salão gasta mais com produto. Desde 2016, a Lei 13.352, conhecida como Lei do Salão-Parceiro, permite que salão e profissional trabalhem como parceiros, com contrato escrito dividindo o valor de cada serviço entre as duas partes. Este guia mostra como calcular, com exemplos, e como evitar erro no fechamento do mês.
Comissão por percentual
É o modelo mais usado. Você define um percentual e aplica sobre o valor de cada serviço concluído. Exemplo: manicure de R$ 50 com comissão de 50% dá R$ 25 para a profissional. Escova de R$ 80 com comissão de 40% dá R$ 32.
No fim do mês, a comissão da profissional é a soma de todos os serviços que ela concluiu, cada um com o seu percentual.
Percentual padrão e percentual por serviço
Muitos salões usam um percentual padrão por profissional e um diferente em alguns serviços. Serviços com muito produto, como coloração, mechas e progressiva, costumam ter um percentual menor para a profissional, porque o salão paga o material. Serviços que dependem só da mão da profissional, como corte e design de sobrancelhas, costumam ter um percentual maior.
O importante é que a regra esteja escrita e que a profissional saiba, antes, quanto vai receber em cada serviço.
E os produtos vendidos?
Produto vendido no balcão, como shampoo e esmalte, pode ter uma comissão própria ou nenhuma. Se o salão paga comissão sobre produto, vale separar do serviço, para não misturar as contas.
Taxa do cartão entra na conta?
Alguns salões descontam a taxa da maquininha antes de calcular a comissão; outros calculam sobre o valor cheio. As duas formas existem. O que não pode é mudar a regra no meio do mês ou sem combinar.
O que diz a Lei do Salão-Parceiro
A Lei 13.352, de 2016, conhecida como Lei do Salão-Parceiro, permite que o salão trabalhe com profissionais parceiros, como cabeleireiros, barbeiros, esteticistas, manicures, pedicures, depiladores e maquiadores, por meio de um contrato de parceria escrito. No contrato, o valor de cada serviço é dividido em uma cota-parte do salão e uma cota-parte do profissional.
Os detalhes do contrato, dos impostos e das obrigações de cada lado variam conforme a situação do salão. Para montar o contrato, converse com um contador ou advogado de confiança.
Exemplo de fechamento do mês
Imagine uma profissional com comissão padrão de 40% e comissão de 30% em coloração. No mês, ela fez 20 escovas de R$ 80, 10 colorações de R$ 200 e 15 cortes de R$ 70.
Escovas: 20 vezes R$ 80 dá R$ 1.600, e 40% disso são R$ 640. Colorações: 10 vezes R$ 200 dá R$ 2.000, e 30% são R$ 600. Cortes: 15 vezes R$ 70 dá R$ 1.050, e 40% são R$ 420. A comissão do mês é R$ 640 mais R$ 600 mais R$ 420, que dá R$ 1.660.
Feita serviço por serviço, no dia, a conta do fim do mês é só a soma. Feita de uma vez no dia 30, com caderno e memória, é onde aparecem os erros.
Serviço com desconto ou promoção
Quando o salão dá desconto, a comissão costuma ser calculada sobre o valor que a cliente realmente pagou, e não sobre o preço de tabela. Se a promoção for decisão do salão e a profissional não deve perder com ela, combine isso por escrito antes. O importante é a regra valer igual para todo mundo.
Parceira, autônoma ou funcionária
A forma de pagar muda conforme o vínculo. A funcionária com carteira assinada recebe salário e pode ter comissão por cima, conforme o combinado. A profissional parceira, dentro da Lei do Salão-Parceiro, recebe a cota-parte dela de cada serviço. A autônoma que só aluga a cadeira paga o aluguel ao salão e fica com o valor dos serviços. Cada caso tem impostos e obrigações diferentes, e vale confirmar com o contador.
Transparência com a equipe
Comissão é o assunto que mais gera desconfiança dentro do salão. A melhor forma de evitar briga é a profissional conseguir ver, a qualquer momento, os serviços que fez e quanto tem a receber, com a mesma conta que a dona vê. Assim, qualquer diferença aparece no dia, e não no fim do mês.
Erros comuns no fechamento
Calcular sobre o valor errado, porque houve desconto que não foi anotado. Esquecer um serviço concluído no fim do dia. Aplicar o percentual padrão num serviço que tinha percentual diferente. Misturar o fiado, que ainda não entrou, com o que já foi pago.
Todos esses erros somem quando cada horário concluído já registra o valor, a forma de pagamento e a comissão na hora.
Como o Salão Up calcula
No Salão Up, cada profissional tem uma comissão padrão, e cada serviço pode ter uma comissão diferente. Ao concluir o horário, a recepção marca a forma de pagamento, os produtos e se ficou fiado, e a comissão sai calculada na hora. A profissional vê as comissões dela no próprio acesso, e a dona vê o relatório de comissões de toda a equipe, sem planilha.